Úlcera Gástrica e Duodenal (Úlcera Péptica): Como Acessar o Tratamento Completo e a Erradicação de H. pylori pelo SUS

Saiba como é feito o diagnóstico de úlcera péptica, o tratamento com IBP e antibióticos, e o manejo de complicações de urgência pelo SUS.

1/5/20264 min read

Úlcera Péptica: Diagnóstico, Tratamento e Erradicação de H. pylori pelo SUS

A Úlcera Péptica (UP) é uma lesão na mucosa do estômago (úlcera gástrica) ou do duodeno (úlcera duodenal), que pode causar dor intensa, sangramento e, em casos graves, perfuração. Historicamente associada ao estresse e à dieta, hoje se sabe que a grande maioria dos casos está ligada a dois fatores principais: a infecção pela bactéria Helicobacter pylori (H. pylori) e o uso crônico de Anti-inflamatórios Não Esteroides (AINEs). O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece um protocolo completo para o manejo da UP, que inclui o diagnóstico por Endoscopia Digestiva Alta (EDA), o fornecimento de medicamentos essenciais como o Omeprazol e o esquema de antibióticos para a erradicação do H. pylori.

Este guia detalhado explora as causas, os sintomas, o fluxo de diagnóstico e o tratamento completo da Úlcera Péptica no âmbito do SUS, garantindo que o paciente saiba como acessar o cuidado necessário para a cura e prevenção de complicações.

1. O que é Úlcera Péptica e Suas Causas

A Úlcera Péptica é o resultado de um desequilíbrio entre os fatores de defesa da mucosa gastrointestinal (muco, bicarbonato, fluxo sanguíneo) e os fatores de agressão (ácido clorídrico e pepsina).

O Papel da H. pylori

A H. pylori é uma bactéria que coloniza a mucosa gástrica e é a principal responsável pela Úlcera Péptica. Ela causa inflamação crônica (gastrite) e enfraquece a barreira protetora, tornando a mucosa vulnerável à ação do ácido. A infecção por H. pylori é tratada no SUS com um esquema de erradicação.

O Risco dos AINEs

O uso de AINEs (como Aspirina, Ibuprofeno e Diclofenaco) é a segunda principal causa. Esses medicamentos inibem a produção de prostaglandinas, substâncias que protegem a mucosa gástrica, aumentando o risco de úlceras e sangramentos.

2. Diagnóstico e Exames pelo SUS

O diagnóstico da Úlcera Péptica é feito principalmente por meio da Endoscopia Digestiva Alta.

Endoscopia Digestiva Alta (EDA)

A EDA é o exame padrão-ouro e é acessível via regulação do SUS. Ela permite:

  • Visualização Direta: O médico pode ver a úlcera, determinar seu tamanho e localização (gástrica ou duodenal).

  • Biópsia: Coleta de material para pesquisa de H. pylori (teste da urease) e para descartar malignidade, especialmente em úlceras gástricas.

  • Tratamento de Sangramento: Em casos de úlcera sangrante, a EDA permite o tratamento imediato (hemostasia).

Testes para H. pylori

Além da biópsia durante a EDA, o SUS pode disponibilizar outros métodos para confirmar a presença da bactéria:

  • Teste Respiratório com Ureia: Método não invasivo, utilizado para confirmar a erradicação após o tratamento.

  • Pesquisa de Antígeno Fecal: Também não invasivo, útil para diagnóstico e controle de cura.

3. Tratamento Clínico e Erradicação de H. pylori pelo SUS

O tratamento da Úlcera Péptica no SUS tem dois objetivos: aliviar a dor e promover a cicatrização da úlcera, e erradicar o H. pylori quando presente.

Inibidores da Bomba de Prótons (IBP)

Os IBP, como o Omeprazol (20mg), são a base do tratamento. Eles reduzem drasticamente a produção de ácido, permitindo que a úlcera cicatrize. O Omeprazol e outros IBP estão disponíveis gratuitamente na Farmácia Básica do SUS (RENAME).

Esquema de Erradicação de H. pylori

O SUS adota o esquema de Terapia Tríplice ou Quádrupla para eliminar a bactéria, que consiste na combinação de um IBP com dois ou três antibióticos, administrados por 7 a 14 dias.

  • Esquema Comum (Terapia Tríplice): IBP (Omeprazol) + Amoxicilina + Claritromicina.

  • Esquema de Resgate (Terapia Quádrupla): Utiliza Bismuto, IBP e dois antibióticos diferentes, em casos de falha do primeiro tratamento.

O SUS fornece os antibióticos necessários (Amoxicilina, Claritromicina, Metronidazol) para a realização do esquema completo.

4. Complicações e Atendimento de Urgência

As complicações da Úlcera Péptica são graves e exigem atendimento de urgência, disponível nas UPAs e hospitais de referência do SUS.

Hemorragia Digestiva Alta

É a complicação mais comum e se manifesta por vômito com sangue (hematêmese) ou fezes escuras (melena). O tratamento é feito por EDA de Urgência, onde o médico pode injetar substâncias ou usar clipes para estancar o sangramento.

Perfuração

Ocorre quando a úlcera atravessa todas as camadas do estômago ou duodeno, liberando conteúdo gastrointestinal na cavidade abdominal. É uma emergência cirúrgica que exige cirurgia de urgência pelo SUS.

Obstrução

O inchaço ou a cicatrização da úlcera podem bloquear a passagem do alimento. O tratamento pode ser endoscópico (dilatação) ou cirúrgico.

5. Fluxo de Acompanhamento e Prevenção pelo SUS

O acompanhamento da Úlcera Péptica é feito em duas etapas principais:

  1. Atenção Primária (UBS/USF): O médico da família faz a suspeita, inicia o tratamento com IBP e encaminha para a Endoscopia.

  2. Atenção Especializada: O Gastroenterologista confirma o diagnóstico, define o esquema de erradicação e acompanha a cicatrização da úlcera (com EDA de controle).

A prevenção primária no SUS foca na educação sobre o uso racional de AINEs e na melhoria das condições de saneamento básico para reduzir a transmissão do H. pylori.