Refluxo gastroesofágico: sintomas, tratamento e atendimento pelo SUS
Saiba o que é refluxo gastroesofágico, quais são os sintomas, quando procurar atendimento e como funciona o tratamento pelo SUS.
2/15/20264 min read


Refluxo gastroesofágico: sintomas, tratamento e atendimento pelo SUS
O refluxo gastroesofágico ocorre quando o conteúdo do estômago retorna para o esôfago, provocando irritação e desconforto. Esse retorno envolve, na maioria das vezes, o ácido gástrico, que não deveria ter contato frequente com a mucosa do esôfago.
É comum que muitas pessoas tenham episódios isolados de refluxo, especialmente após refeições grandes, ricas em gordura ou em situações pontuais, como deitar logo após comer. Nesses casos, o desconforto tende a ser passageiro. O problema surge quando os sintomas se tornam frequentes, intensos ou persistentes, caracterizando a Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE).
A DRGE pode impactar significativamente a qualidade de vida, interferindo no sono, na alimentação e no bem-estar geral. Por isso, reconhecer os sinais, adotar cuidados diários e saber como funciona o atendimento pelo SUS é fundamental para evitar complicações e controlar o problema de forma adequada.
O que é o refluxo gastroesofágico e por que ele acontece
Entre o esôfago e o estômago existe uma estrutura muscular chamada esfíncter esofágico inferior. Essa estrutura funciona como uma válvula: ela se abre para permitir a passagem do alimento para o estômago e se fecha para impedir que o conteúdo gástrico volte.
No refluxo gastroesofágico, essa válvula não se fecha corretamente ou relaxa em momentos inadequados. Como resultado, o ácido e outros conteúdos do estômago retornam para o esôfago, causando irritação da mucosa.
Vários fatores podem contribuir para o enfraquecimento ou mau funcionamento do esfíncter esofágico inferior. Entre os mais comuns estão o excesso de peso, a obesidade, o consumo frequente de alimentos gordurosos, o uso de bebidas alcoólicas, o tabagismo e hábitos alimentares inadequados.
Além disso, algumas situações aumentam temporariamente a pressão dentro do abdômen, como gravidez, constipação intestinal e uso de roupas muito apertadas. Essa pressão facilita o retorno do conteúdo gástrico para o esôfago.
Principais sintomas do refluxo gastroesofágico
Os sintomas do refluxo gastroesofágico variam de pessoa para pessoa. Alguns indivíduos apresentam queixas leves, enquanto outros sofrem com sintomas frequentes e intensos.
Os sintomas mais comuns incluem:
azia, caracterizada por sensação de queimação no peito ou atrás do esterno;
regurgitação, com sensação de alimento ou líquido voltando para a boca;
gosto amargo ou ácido na boca;
sensação de estômago cheio ou pesado;
arroto frequente.
O refluxo também pode causar sintomas chamados de extraesofágicos, que não estão diretamente ligados ao sistema digestivo. Entre eles estão tosse seca persistente, rouquidão, pigarro constante, dor de garganta frequente e sensação de nó na garganta.
Em alguns casos, o refluxo pode piorar à noite ou ao deitar, interferindo no sono e causando despertares frequentes devido à azia ou à sensação de sufocamento.
Sinais de alerta que exigem avaliação médica
Embora o refluxo seja comum, alguns sinais indicam a necessidade de procurar atendimento de saúde para investigação mais detalhada.
Procure avaliação médica se houver:
dificuldade ou dor para engolir;
sensação de alimento parado na garganta;
perda de peso sem causa aparente;
vômitos frequentes;
sangue no vômito ou fezes escuras;
dor no peito intensa ou diferente do habitual.
Esses sinais podem indicar complicações do refluxo ou outras condições que precisam de avaliação e tratamento específicos.
O que fazer no dia a dia para controlar o refluxo
Grande parte do tratamento do refluxo gastroesofágico envolve mudanças no estilo de vida. Essas medidas ajudam a reduzir os sintomas e, em muitos casos, diminuem a necessidade de medicamentos.
Entre os cuidados mais importantes estão:
evitar deitar por pelo menos 2 a 3 horas após as refeições;
realizar refeições menores e mais frequentes;
reduzir o consumo de alimentos gordurosos, frituras e comidas muito condimentadas;
evitar café, refrigerantes, chocolate e álcool em excesso;
manter o peso corporal adequado;
evitar fumar;
elevar a cabeceira da cama cerca de 10 a 15 centímetros.
Essas medidas ajudam a diminuir a pressão sobre o estômago e reduzem a chance de o ácido retornar para o esôfago, principalmente durante a noite.
Tratamento medicamentoso disponível no SUS
Quando as mudanças no estilo de vida não são suficientes para controlar os sintomas, o tratamento pode incluir o uso de medicamentos, sempre com orientação de um profissional de saúde.
No SUS, os medicamentos mais utilizados no tratamento do refluxo gastroesofágico incluem:
antiácidos, usados para alívio rápido e pontual dos sintomas;
bloqueadores dos receptores H2, que reduzem a produção de ácido;
inibidores da bomba de prótons (IBP), como omeprazol e pantoprazol, que diminuem de forma mais eficaz a produção de ácido gástrico.
Os IBPs são geralmente indicados nos casos de sintomas frequentes ou quando há inflamação do esôfago. O tempo de uso varia conforme a resposta ao tratamento e a orientação médica.
É importante evitar a automedicação prolongada. O uso inadequado de medicamentos pode mascarar sintomas importantes e atrasar o diagnóstico de outras condições.
Quando procurar atendimento pelo SUS
O atendimento pelo SUS deve ser procurado quando os sintomas de refluxo são frequentes, persistentes ou interferem na qualidade de vida.
É recomendado procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) quando:
os sintomas ocorrem várias vezes por semana;
há necessidade frequente de medicamentos;
as medidas em casa não trazem melhora;
existem sinais de alerta.
Em situações de dor intensa no peito associada a falta de ar, suor frio ou irradiação para o braço, procure atendimento de urgência, pois pode não se tratar apenas de refluxo.
Como funciona o acompanhamento pelo SUS
O cuidado geralmente começa na UBS, onde a equipe de saúde realiza a avaliação inicial, orienta mudanças no estilo de vida e prescreve medicamentos quando necessário.
Se os sintomas persistirem ou houver suspeita de complicações, o paciente pode ser encaminhado para avaliação especializada, incluindo exames como a endoscopia digestiva alta, conforme indicação clínica.
O acompanhamento regular permite ajustar o tratamento, prevenir complicações e melhorar a qualidade de vida do paciente.
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Fontes e referências
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