Azia e Queimação: Medicamentos Gratuitos e Tratamento pelo SUS
Guia completo sobre como identificar, tratar e prevenir azia e queimação, com foco nos medicamentos e no acesso aos serviços do SUS.
2/15/20267 min read


Azia e Queimação: Medicamentos Gratuitos e Tratamento pelo SUS
A azia e a queimação são sintomas digestivos extremamente comuns, caracterizados por uma sensação de ardor no peito, que pode se estender até a garganta. Embora muitas vezes sejam consideradas incômodos passageiros, podem indicar condições mais sérias, como a Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE), e impactar significativamente a qualidade de vida.
Compreender as causas, os tratamentos disponíveis e, principalmente, como acessar esses cuidados através do Sistema Único de Saúde (SUS) é fundamental. Este guia detalhado foi elaborado para oferecer informações claras e confiáveis sobre azia e queimação, desde a identificação dos sintomas até as opções de medicamentos e acompanhamento médico gratuito.
Nosso objetivo é desmistificar o tema, orientar sobre as melhores práticas de prevenção e tratamento, e capacitar você a buscar o suporte necessário para aliviar esses desconfortos e garantir sua saúde digestiva.
O Que São Azia e Queimação?
A azia, também conhecida como pirose, é a sensação de queimação que se origina na região do estômago e sobe pelo esôfago, podendo atingir a garganta. Geralmente, é causada pelo refluxo do conteúdo ácido do estômago para o esôfago, um tubo que conecta a boca ao estômago. A queimação é o sintoma principal e mais característico da azia.
Como Ocorre o Refluxo?
Entre o esôfago e o estômago, existe uma válvula muscular chamada esfíncter esofágico inferior (EEI). Sua função é abrir para permitir a passagem dos alimentos para o estômago e fechar para impedir que o conteúdo estomacal retorne ao esôfago. Quando o EEI não funciona corretamente, relaxando em momentos inadequados ou estando enfraquecido, o ácido gástrico pode subir, irritando a mucosa esofágica e causando a sensação de queimação.
Causas Comuns da Azia e Queimação
Diversos fatores podem contribuir para o surgimento ou agravamento da azia e queimação. É importante identificar essas causas para um tratamento eficaz e para a prevenção de novos episódios.
Alimentos e Bebidas: Alimentos gordurosos, fritos, picantes, cítricos (laranja, limão), tomate e seus derivados, chocolate, café, bebidas alcoólicas e refrigerantes podem relaxar o EEI ou aumentar a produção de ácido estomacal.
Hábitos Alimentares: Comer grandes refeições, deitar-se logo após comer, comer muito rápido e pular refeições.
Excesso de Peso e Obesidade: O aumento da pressão abdominal pode empurrar o conteúdo do estômago para o esôfago.
Gravidez: Alterações hormonais e a pressão do útero em crescimento sobre o estômago podem causar refluxo.
Tabagismo: A nicotina pode relaxar o EEI e estimular a produção de ácido.
Estresse e Ansiedade: Podem influenciar a digestão e a percepção da dor.
Certos Medicamentos: Alguns remédios, como anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), relaxantes musculares e certos medicamentos para pressão arterial, podem irritar o esôfago ou relaxar o EEI.
Hérnia de Hiato: Uma condição em que parte do estômago se projeta para o tórax através do diafragma, facilitando o refluxo.
Diagnóstico de Azia e Queimação pelo SUS
O diagnóstico da azia e queimação, especialmente quando persistentes, é feito por um médico e pode envolver exames específicos para identificar a causa subjacente e descartar condições mais graves.
1. Consulta na Unidade Básica de Saúde (UBS)
O primeiro passo é procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima. O médico da família ou clínico generalista fará uma avaliação inicial, coletando seu histórico de sintomas, hábitos alimentares e estilo de vida. Com base nessa avaliação, ele poderá iniciar um tratamento empírico ou encaminhar para um especialista.
2. Encaminhamento para Especialista (Gastroenterologista)
Se os sintomas forem persistentes, graves ou não responderem ao tratamento inicial, o médico da UBS poderá encaminhá-lo para um Gastroenterologista no SUS. O encaminhamento é feito via sistema de regulação, e o tempo de espera pode variar de acordo com a demanda e a região.
3. Exames Diagnósticos Disponíveis no SUS
O gastroenterologista poderá solicitar exames para confirmar o diagnóstico e avaliar a extensão do problema:
Endoscopia Digestiva Alta: Permite visualizar o esôfago, estômago e duodeno, identificando inflamações (esofagite), úlceras, hérnia de hiato ou outras alterações.
Manometria Esofágica: Avalia a função do EEI e a motilidade do esôfago.
pHmetria Esofágica: Mede a quantidade de ácido que reflui para o esôfago durante um período de 24 horas, confirmando a DRGE.
Medicamentos Disponíveis pelo SUS para Azia e Queimação
O tratamento medicamentoso da azia e queimação visa reduzir a acidez estomacal, proteger a mucosa do esôfago e melhorar o funcionamento do EEI. O SUS oferece uma gama de medicamentos que podem ser acessados gratuitamente, mediante prescrição médica.
1. Antiácidos
São medicamentos de alívio rápido, que neutralizam o ácido estomacal. São indicados para sintomas leves e ocasionais. Exemplos incluem hidróxido de alumínio e magnésio. Podem ser encontrados em farmácias populares ou distribuídos em algumas UBSs.
2. Bloqueadores de H2 (Antagonistas dos Receptores H2)
Reduzem a produção de ácido estomacal. São mais potentes que os antiácidos e têm um efeito mais duradouro. A ranitidina e a cimetidina são exemplos, embora a ranitidina tenha tido sua comercialização suspensa no Brasil por questões de segurança em 2020. Outras opções podem ser prescritas e acessadas via SUS.
3. Inibidores da Bomba de Prótons (IBPs)
São os medicamentos mais eficazes para reduzir a produção de ácido estomacal e são frequentemente usados para tratar a DRGE e esofagite. Exemplos incluem omeprazol, pantoprazol, lansoprazol e esomeprazol. Estes medicamentos são de uso contínuo em muitos casos e podem ser acessados via:
Farmácia Básica do SUS: Após consulta e prescrição médica na UBS.
Componente Especializado da Assistência Farmacêutica (CEAF): Para casos específicos de DRGE grave ou esofagite erosiva, pode ser necessário um processo administrativo para acesso a medicamentos de alto custo ou de uso prolongado. O médico da UBS ou especialista orientará sobre a documentação necessária (Laudo para Solicitação, Avaliação e Autorização de Medicamentos - LME, exames e receitas).
4. Pró-cinéticos
Ajudam a esvaziar o estômago mais rapidamente e a fortalecer o EEI, reduzindo o refluxo. A domperidona e a bromoprida são exemplos, mas seu uso deve ser avaliado cuidadosamente pelo médico devido a possíveis efeitos colaterais.
Mudanças no Estilo de Vida e Hábitos Alimentares
Além dos medicamentos, a modificação de hábitos e estilo de vida é crucial para controlar a azia e a queimação, e muitas vezes é a primeira linha de tratamento recomendada pelos profissionais do SUS.
Evitar Alimentos Gatilho: Reduzir o consumo de alimentos gordurosos, picantes, cítricos, chocolate, café, álcool e refrigerantes.
Pequenas Refeições: Comer porções menores e mais frequentes ao longo do dia, em vez de grandes refeições.
Não Deitar Após Comer: Esperar pelo menos 2 a 3 horas após a última refeição antes de deitar.
Elevar a Cabeceira da Cama: Elevar a cabeceira da cama em 15 a 20 centímetros (usando calços sob os pés da cama ou um travesseiro em cunha) pode ajudar a evitar o refluxo noturno.
Manter um Peso Saudável: A perda de peso, se você estiver acima do peso, pode reduzir a pressão abdominal.
Parar de Fumar: O tabagismo é um fator de risco significativo para o refluxo.
Evitar Roupas Apertadas: Roupas que apertam a cintura podem aumentar a pressão abdominal.
Gerenciar o Estresse: Técnicas de relaxamento, como meditação ou yoga, podem ser úteis.
Quando Procurar Ajuda Médica no SUS
Embora a azia ocasional possa ser tratada com mudanças no estilo de vida e antiácidos, é importante procurar atendimento médico no SUS se você apresentar:
Azia frequente (duas ou mais vezes por semana) ou persistente.
Sintomas que não melhoram com medicamentos de venda livre.
Dificuldade ou dor ao engolir.
Perda de peso inexplicável.
Vômitos persistentes ou vômito com sangue.
Fezes escuras ou com sangue.
Dor no peito que pode ser confundida com ataque cardíaco (sempre procure emergência nesses casos).
Prevenção da Azia e Queimação
A prevenção é a melhor estratégia para evitar o desconforto da azia e queimação. Adotar um estilo de vida saudável e estar atento aos gatilhos individuais são passos essenciais.
Dieta Equilibrada: Priorize frutas, vegetais, grãos integrais e proteínas magras.
Hidratação Adequada: Beba bastante água ao longo do dia, mas evite grandes volumes durante as refeições.
Mastigação Lenta: Mastigue bem os alimentos para facilitar a digestão.
Evitar o Estresse: Pratique atividades relaxantes e busque formas de gerenciar o estresse diário.
Exercícios Físicos Regulares: Contribuem para a manutenção de um peso saudável e para o bem-estar geral.
A Importância do Acompanhamento Médico e a Adesão ao Tratamento
O tratamento da azia e queimação, especialmente quando crônicas ou relacionadas à DRGE, exige um acompanhamento médico contínuo. A adesão ao tratamento prescrito, seja ele medicamentoso ou baseado em mudanças de estilo de vida, é fundamental para o sucesso a longo prazo e para evitar complicações. No SUS, o paciente tem acesso a consultas regulares com o médico da família e, se necessário, com o gastroenterologista, que irão monitorar a evolução dos sintomas, ajustar a medicação e fornecer orientações adicionais.
É crucial não interromper o uso de medicamentos por conta própria, mesmo que os sintomas melhorem, sem antes consultar o médico. A interrupção abrupta pode levar ao retorno dos sintomas e até mesmo ao agravamento da condição. Além disso, o acompanhamento permite a detecção precoce de quaisquer complicações, como esofagite erosiva ou Esôfago de Barrett, que exigem manejo específico.
Um Alívio Acessível pelo SUS
A azia e a queimação, embora incômodas, são condições que podem ser efetivamente gerenciadas e tratadas. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece todo o suporte necessário, desde o diagnóstico na Atenção Primária até o acesso a medicamentos e o acompanhamento com especialistas. Ao adotar hábitos saudáveis e buscar ajuda médica quando necessário, é possível viver sem o desconforto desses sintomas, garantindo uma melhor qualidade de vida e saúde digestiva.
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