Alzheimer: Suporte Completo ao PacienteDoença de Alzheimer: Diagnóstico, Medicamentos e Suporte ao Cuidador pelo SUS e Cuidador pelo SUS
Guia completo sobre como o SUS oferece diagnóstico, medicamentos, tratamento não farmacológico e apoio essencial para pacientes com Alzheimer e seus cuidadores.
5/20/20257 min read


Doença de Alzheimer: Diagnóstico, Medicamentos e Suporte ao Cuidador pelo SUS
A Doença de Alzheimer (DA) é a forma mais comum de demência, caracterizada pela perda progressiva das funções cognitivas, como memória, linguagem e raciocínio. É uma condição que impacta profundamente não apenas o paciente, mas também toda a sua família e, em especial, o cuidador principal. No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) desempenha um papel vital no manejo da doença, garantindo o acesso ao diagnóstico, ao tratamento farmacológico e, de forma crucial, ao suporte multidisciplinar e social para o paciente e seu cuidador.
Este guia detalhado tem como objetivo esclarecer o que é a Doença de Alzheimer, como o diagnóstico e o tratamento são conduzidos na rede pública, quais são os medicamentos fornecidos pelo SUS e, principalmente, apresentar um passo a passo prático para que o paciente e o cuidador possam acessar o suporte integral e gratuito oferecido pelo sistema.
O que é a Doença de Alzheimer e Seus Estágios
A DA é causada pelo acúmulo de proteínas anormais (placas beta-amiloides e emaranhados neurofibrilares de tau) no cérebro, levando à morte de neurônios. É uma doença progressiva, que se manifesta em estágios:
Estágios da Doença de Alzheimer
Estágio Inicial (Leve): Perda de memória recente, dificuldade em encontrar palavras, desorientação em locais não familiares. O paciente ainda é independente.
Estágio Intermediário (Moderado): A perda de memória se acentua, dificuldade em realizar tarefas diárias (como vestir-se e cozinhar), alterações de humor e comportamento (agitação, insônia). O paciente necessita de supervisão.
Estágio Avançado (Grave): Perda da capacidade de comunicação, dependência total para o autocuidado, dificuldade para andar e engolir.
Diagnóstico e Acompanhamento pelo SUS
O diagnóstico precoce é fundamental para iniciar o tratamento e planejar o futuro. O SUS oferece o caminho para o diagnóstico e o acompanhamento especializado:
Primeira Avaliação na UBS: O médico da família na Unidade Básica de Saúde (UBS) é o primeiro contato. Ele fará uma avaliação inicial (testes cognitivos simples) e, se houver suspeita, encaminhará para o especialista.
Consulta com Neurologista ou Geriatra: O encaminhamento é feito para o especialista (Neurologista ou Geriatra) em ambulatórios de especialidades ou hospitais de referência.
Exames Complementares: O SUS cobre exames de sangue (para descartar outras causas de demência, como deficiência de vitamina B12 ou problemas de tireoide) e exames de neuroimagem (Tomografia Computadorizada - TC ou Ressonância Magnética - RM) para descartar causas reversíveis e avaliar a atrofia cerebral.
Tratamento Farmacológico: Medicamentos no SUS
O tratamento medicamentoso visa retardar a progressão dos sintomas e controlar as alterações de comportamento. O SUS fornece os medicamentos essenciais, conforme o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) da Doença de Alzheimer:
Medicamentos Fornecidos pelo SUS (CEAF)
São fornecidos pelo Componente Especializado da Assistência Farmacêutica (CEAF), mediante Laudo para Solicitação, Avaliação e Autorização de Medicamentos (LME):
Inibidores da Colinesterase (Donepezila, Rivastigmina, Galantamina): Usados nos estágios leve e moderado para melhorar a função cognitiva.
Antagonista do Receptor NMDA (Memantina): Usado nos estágios moderado e grave, muitas vezes em combinação com os inibidores da colinesterase.
O acesso a esses medicamentos é um direito garantido, exigindo a renovação periódica do LME e da receita pelo médico especialista.
Tratamento Não Farmacológico e Suporte Multidisciplinar
O tratamento não medicamentoso é um pilar essencial, focado na reabilitação cognitiva e na manutenção da funcionalidade. O SUS oferece:
Reabilitação Cognitiva: Atividades que estimulam a memória e outras funções cognitivas, oferecidas em Centros de Referência ou Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).
Fisioterapia e Terapia Ocupacional: Para manter a mobilidade, prevenir quedas e adaptar o ambiente doméstico.
Fonoaudiologia: Essencial para auxiliar na comunicação e na deglutição (engolir), especialmente nos estágios avançados.
Suporte Psicológico: Para o paciente (nos estágios iniciais) e, principalmente, para o cuidador.
O Papel Crucial do Cuidador e o Suporte do SUS
O cuidador principal, muitas vezes um familiar, enfrenta uma sobrecarga física e emocional imensa. O SUS reconhece a importância desse papel e busca oferecer suporte:
Grupos de Apoio: Muitos serviços de saúde e CAPS oferecem grupos de apoio para cuidadores, proporcionando um espaço de escuta, troca de experiências e orientação.
Capacitação de Cuidadores: A atenção primária (UBS) e os serviços especializados devem oferecer orientações sobre como lidar com as alterações de comportamento, como realizar a higiene e a alimentação do paciente, e como prevenir a Síndrome de Sobrecarga do Cuidador.
Acesso a Benefícios Sociais: O assistente social do SUS pode orientar o cuidador sobre o acesso a benefícios como o BPC (Benefício de Prestação Continuada) para o paciente.
Prevenção e Rastreio na Atenção Primária
Embora a causa exata da DA ainda seja desconhecida, a prevenção e o rastreio de fatores de risco são cruciais. O SUS, por meio da Atenção Primária à Saúde (APS), tem um papel fundamental:
Controle de Fatores de Risco: A APS atua no controle de doenças crônicas que aumentam o risco de demência, como hipertensão, diabetes, obesidade e dislipidemia. O controle rigoroso dessas condições é uma medida preventiva primária.
Estímulo a Hábitos Saudáveis: A UBS promove a saúde cerebral através do incentivo à atividade física regular, dieta saudável (como a dieta mediterrânea), engajamento social e estímulo cognitivo (leitura, jogos, aprendizado de novas habilidades).
Rastreio Cognitivo: O médico da família e a equipe de saúde da UBS devem realizar o rastreio cognitivo em idosos com queixas de memória ou alterações de comportamento, utilizando ferramentas simples como o Mini Exame do Estado Mental (MEEM) ou o Teste do Desenho do Relógio. O rastreio permite a identificação precoce e o encaminhamento rápido para o especialista.
Direitos e Benefícios Sociais para Pacientes com Alzheimer
A Doença de Alzheimer é reconhecida como uma condição que pode gerar incapacidade, garantindo ao paciente diversos direitos sociais:
Benefício de Prestação Continuada (BPC/LOAS): Concedido a idosos (acima de 65 anos) ou pessoas com deficiência que comprovem baixa renda. Pacientes com Alzheimer em estágio avançado, que não podem prover o próprio sustento, se enquadram neste benefício.
Isenção de Imposto de Renda (IRPF): Aposentados e pensionistas com Alzheimer são isentos do Imposto de Renda sobre os rendimentos de aposentadoria.
Prioridade em Processos Judiciais: Pessoas com mais de 60 anos e portadoras de doenças graves têm prioridade na tramitação de processos.
Curatela: Em estágios avançados, a família pode precisar solicitar a curatela (antiga interdição) para que um familiar possa representar legalmente o paciente em decisões financeiras e de saúde.
Direitos do Cuidador Familiar
Embora a legislação brasileira ainda não tenha uma lei específica que garanta direitos trabalhistas ao cuidador familiar não remunerado, existem algumas proteções e possibilidades que podem ser exploradas:
Saque do FGTS: Em casos de doença grave do trabalhador ou de seu dependente (incluindo Alzheimer), é possível solicitar o saque do FGTS.
Flexibilização da Jornada de Trabalho: Servidores públicos federais têm direito à redução da jornada de trabalho, sem necessidade de compensação, para cuidar de cônjuge, filho ou dependente com deficiência. Na iniciativa privada, a flexibilização depende de negociação com o empregador ou de acordos coletivos.
Apoio Psicológico pelo SUS: O cuidador tem direito a buscar apoio psicológico nos CAPS e na rede de atenção psicossocial do SUS para lidar com a sobrecarga e o estresse.
Diretivas Antecipadas de Vontade e Planejamento Legal
Um aspecto crucial no manejo da Doença de Alzheimer, especialmente nos estágios iniciais, é o planejamento para o futuro, enquanto o paciente ainda tem capacidade de decisão. As Diretivas Antecipadas de Vontade (DAV) e o planejamento legal são ferramentas essenciais:
Diretivas Antecipadas de Vontade (Testamento Vital): É um documento legal onde a pessoa manifesta sua vontade sobre os cuidados, tratamentos e procedimentos médicos que deseja ou não receber quando estiver incapaz de se expressar. No SUS, a Resolução CFM nº 1.995/2012 garante o direito do paciente de registrar suas DAVs no prontuário médico.
Nomeação de Procurador de Saúde: O paciente pode nomear uma pessoa de confiança para tomar decisões de saúde em seu nome, caso ele se torne incapaz.
Planejamento Financeiro e Patrimonial: A Curatela é um processo demorado e desgastante. O planejamento prévio, como a procuração ou a doação em vida, pode simplificar a gestão dos bens e finanças quando a doença progredir. O assistente social do SUS pode orientar sobre os primeiros passos, mas a consulta a um advogado especializado é recomendada.
Passo a Passo: Como Acessar o Suporte Integral pelo SUS
O acesso ao tratamento e suporte para Alzheimer no SUS é feito em etapas:
Primeira Avaliação na UBS:
Procure a Unidade Básica de Saúde (UBS) para a avaliação inicial e o encaminhamento para o especialista (Neurologista ou Geriatra).
Consulta com o Especialista:
O especialista confirmará o diagnóstico, solicitará exames e prescreverá os medicamentos. Ele preencherá o Laudo para Solicitação, Avaliação e Autorização de Medicamentos (LME).
Acesso aos Medicamentos:
Com o LME e a receita, retire os medicamentos gratuitamente na Farmácia de Alto Custo (CEAF).
Encaminhamento para Suporte Multidisciplinar:
O médico deve encaminhar o paciente para serviços de reabilitação (fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional) e suporte psicológico (CAPS ou ambulatórios).
Busca por Suporte ao Cuidador:
O cuidador deve procurar a UBS ou o CAPS para se informar sobre grupos de apoio e orientações. O assistente social pode auxiliar na busca por benefícios sociais.
O Futuro do Tratamento e a Pesquisa no SUS
A pesquisa em Alzheimer está avançando rapidamente, focada em terapias que possam modificar o curso da doença, e não apenas tratar os sintomas. O SUS, por meio de seus centros de referência, participa de estudos clínicos e busca incorporar novas tecnologias e medicamentos, como os anticorpos monoclonais (Aducanumabe, Lecanemabe), assim que sua eficácia e segurança forem comprovadas e aprovadas pela CONITEC e ANVISA. A ênfase na prevenção, com o controle de fatores de risco como hipertensão e diabetes, também é uma prioridade da saúde pública.
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