Síndrome do Intestino Irritável: Como Acessar o Tratamento Completo e Multidisciplinar pelo SUS

Saiba como é feito o diagnóstico de SII, o tratamento com antiespasmódicos, laxativos e o apoio de nutricionistas e psicólogos no Sistema Único de Saúde.

1/5/20264 min read

Síndrome do Intestino Irritável (SII): Diagnóstico, Dieta e Tratamento Multidisciplinar pelo SUS

A Síndrome do Intestino Irritável (SII) é um distúrbio gastrointestinal funcional crônico, caracterizado por dor abdominal recorrente associada a alterações no hábito intestinal, como diarreia, constipação ou uma combinação de ambos. É uma condição que afeta significativamente a qualidade de vida, mas que não causa danos estruturais ao intestino. O diagnóstico da SII é essencialmente clínico, baseado nos Critérios de Roma IV, e o tratamento é multidisciplinar, envolvendo o uso de medicamentos, ajustes dietéticos e, frequentemente, apoio psicológico. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece toda a estrutura para o diagnóstico de exclusão e o manejo completo da SII, desde a atenção primária até o acompanhamento especializado com gastroenterologistas, nutricionistas e psicólogos.

Este guia detalhado explora o que é a SII, como ela é diagnosticada no SUS, as opções de tratamento disponíveis, com ênfase na Dieta Low-FODMAP e nos medicamentos fornecidos, e o fluxo para acessar a equipe multidisciplinar de saúde.

1. O que é a Síndrome do Intestino Irritável (SII)?

A SII é classificada como um Distúrbio da Interação Intestino-Cérebro, o que significa que há uma comunicação alterada entre o intestino e o sistema nervoso central. Isso leva a uma hipersensibilidade visceral e a alterações na motilidade intestinal.

Tipos de SII

A classificação da SII é feita com base no padrão predominante das fezes, utilizando a Escala de Bristol:

  • SII com Constipação (SII-C): Fezes duras ou em bolinhas (tipos 1 e 2 da Escala de Bristol) predominam.

  • SII com Diarreia (SII-D): Fezes líquidas ou pastosas (tipos 6 e 7 da Escala de Bristol) predominam.

  • SII Mista (SII-M): Alternância entre constipação e diarreia.

2. Diagnóstico e Exclusão de Outras Doenças pelo SUS

O diagnóstico da SII é de exclusão, ou seja, é feito após descartar outras doenças que causam sintomas semelhantes.

Critérios de Roma IV

O diagnóstico clínico no SUS segue os Critérios de Roma IV, que exigem:

  • Dor abdominal recorrente, em média, pelo menos 1 dia por semana nos últimos 3 meses.

  • Associada a dois ou mais dos seguintes:

    1. Relacionada à defecação.

    2. Associada a uma alteração na frequência das fezes.

    3. Associada a uma alteração na forma (aparência) das fezes.

Exames de Exclusão

Para descartar doenças orgânicas (como Doença de Crohn, Retocolite Ulcerativa ou Doença Celíaca), o SUS garante o acesso a exames, especialmente em pacientes com "sinais de alarme" (perda de peso, sangramento retal, anemia, início após os 50 anos):

  • Exames de Sangue e Fezes: Para verificar inflamação, anemia e parasitas.

  • Endoscopia e Colonoscopia: Realizadas via regulação do SUS para visualizar o trato gastrointestinal e realizar biópsias.

3. Tratamento Multidisciplinar no SUS

O tratamento da SII é focado no alívio dos sintomas e na melhoria da qualidade de vida, sendo essencialmente multidisciplinar.

A Dieta Low-FODMAP e o Nutricionista

A Dieta Low-FODMAP (sigla para Oligossacarídeos, Dissacarídeos, Monossacarídeos e Polióis Fermentáveis) é a intervenção dietética mais eficaz. Esses carboidratos são mal absorvidos e fermentados por bactérias, causando gases, inchaço e dor.

O SUS oferece acesso a Nutricionistas que podem orientar o paciente nas três fases da dieta:

  1. Fase de Eliminação: Retirada de alimentos ricos em FODMAPs por 2 a 6 semanas.

  2. Fase de Reintrodução: Reintrodução gradual dos grupos de FODMAPs para identificar os gatilhos individuais.

  3. Fase de Personalização: Manutenção de uma dieta que restringe apenas os gatilhos identificados.

Medicamentos Disponíveis pelo SUS

O tratamento farmacológico visa tratar o sintoma predominante:

  • Para Dor e Cólicas (Antiespasmódicos): Medicamentos como a Hioscina (Buscopan) e a Mebeverina (disponibilidade pode variar, mas são a primeira linha).

  • Para Constipação (Laxativos): O SUS fornece laxativos osmóticos como o Polietilenoglicol (PEG) e a Lactulose, que ajudam a amolecer as fezes.

  • Para Diarreia (Antidiarreicos): A Loperamida é o medicamento mais comum, disponível na Farmácia Básica.

  • Para Dor Visceral (Antidepressivos): Em doses baixas, os Antidepressivos Tricíclicos (ATC), como a Amitriptilina, são eficazes para modular a dor intestinal. O acesso a esses medicamentos é garantido pelo SUS.

Apoio Psicológico e Psiquiátrico

Devido à forte conexão entre o intestino e o cérebro, a SII frequentemente coexiste com ansiedade, depressão e estresse. O SUS oferece:

  • Atendimento Psicológico: Em Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).

  • Atendimento Psiquiátrico: Para manejo de comorbidades que exijam medicação específica.

4. Fluxo de Atendimento e Acompanhamento pelo SUS

O paciente com suspeita de SII deve iniciar o atendimento na Atenção Primária à Saúde (APS), na Unidade Básica de Saúde (UBS) ou Estratégia Saúde da Família (ESF).

  1. APS: O médico ou enfermeiro realiza a avaliação inicial, aplica os Critérios de Roma IV e solicita os exames de exclusão. Inicia-se a orientação dietética básica e o tratamento sintomático.

  2. Encaminhamento: Caso o diagnóstico seja confirmado ou haja necessidade de investigação mais aprofundada, o paciente é encaminhado para o Gastroenterologista e o Nutricionista na Atenção Especializada.

  3. Acompanhamento Multidisciplinar: O tratamento ideal envolve o acompanhamento contínuo com a equipe multidisciplinar, que ajusta a dieta e a medicação conforme a resposta do paciente.