Náuseas e vômitos: causas, hidratação e tratamento pelo SUS
Saiba as causas de náuseas e vômitos, como se hidratar (SRO), quando procurar atendimento e como o SUS orienta exames e medicamentos.
1/4/20265 min read


Náuseas e vômitos: causas, hidratação e tratamento pelo SUS
Náuseas (enjoo) e vômitos são sintomas muito comuns e podem acontecer por motivos simples, como uma virose, uma refeição que “caiu mal” ou um quadro de ansiedade. Na maioria das vezes, melhoram em poucos dias com cuidados básicos. Ainda assim, eles merecem atenção porque podem levar à desidratação, principalmente em crianças, idosos e gestantes.
Neste artigo, você vai entender as causas mais frequentes, o que fazer em casa com segurança, como reconhecer sinais de gravidade e como funciona o atendimento pelo SUS — desde a Unidade Básica de Saúde até a UPA ou hospital quando for necessário.
Entendendo as causas das náuseas e dos vômitos
O vômito é uma resposta do organismo para expulsar algo que está irritando o estômago ou para reagir a alterações no corpo. Ele pode surgir por várias razões, e o mesmo sintoma pode ter causas diferentes.
Entre as causas mais comuns estão infecções gastrointestinais (virose/gastroenterite), intoxicação alimentar, excesso de álcool, refluxo, gastrite, enxaqueca, labirintite, ansiedade, uso de alguns medicamentos e gravidez. Em algumas situações, náuseas e vômitos também podem estar ligados a problemas que precisam de avaliação rápida, como apendicite, obstrução intestinal ou doenças neurológicas — por isso é tão importante observar o conjunto dos sinais.
Uma dica prática: avalie há quanto tempo começou, se há febre, dor abdominal forte, diarreia, sangue, e se a pessoa consegue manter líquidos. Esses pontos ajudam muito na decisão de procurar atendimento.
O risco mais importante: desidratação
Em quadros de vômitos, o maior risco geralmente não é “o vômito em si”, e sim a perda de água e sais minerais. A desidratação pode aparecer rapidamente quando a pessoa não consegue beber líquidos ou quando há vômitos e diarreia ao mesmo tempo.
Os sinais mais comuns de desidratação incluem boca seca, urina escura e em pouca quantidade, tontura, fraqueza, sonolência fora do habitual, olhos fundos e sede intensa. Em crianças, vale observar choro sem lágrimas, fraldas secas por muitas horas e prostração.
O que fazer em casa com segurança
Se o quadro for leve e a pessoa estiver bem no geral, os cuidados em casa costumam ajudar bastante:
Comece pela hidratação oral: pequenos goles de água, água de coco ou chás claros, várias vezes ao dia.
Se estiver difícil manter líquidos, use Sais de Reidratação Oral (SRO) — é uma das medidas mais eficazes para prevenir desidratação.
Após melhorar a náusea, prefira alimentos leves: arroz, batata, pão, banana, maçã, sopas e caldos.
Evite frituras, comidas gordurosas, leite integral, bebidas alcoólicas e refrigerantes enquanto durar o quadro.
Descanse e evite esforço físico. Em muitos casos, o corpo melhora mais rápido com repouso.
Se a pessoa vomita logo após beber, tente reduzir a quantidade e aumentar a frequência: 1 ou 2 colheres de sopa a cada 5 minutos, por exemplo. O objetivo é “ir somando” o líquido aos poucos.
Como preparar e usar o Sais de Reidratação Oral
O Sais de Reidratação Oral é distribuído em muitos serviços do SUS e pode ser comprado em farmácias. Ele não é “remédio para parar o vômito”, mas ajuda a repor água e sais e evita complicações.
Dissolva o conteúdo do envelope na quantidade de água indicada no rótulo (geralmente 1 litro).
Use água potável. Se não tiver, ferva e espere esfriar antes de preparar.
Ofereça em pequenos goles, frequentemente, mesmo que a pessoa não tenha muita vontade.
Após preparado, mantenha tampado e use em até 24 horas (depois disso, descarte).
Medicamentos utilizados no tratamento pelo SUS
Em alguns casos, o profissional pode indicar medicamentos para reduzir náusea e vômitos (antieméticos). Exemplos comuns incluem Metoclopramida e Ondansetrona. O uso depende do quadro clínico, da idade, das comorbidades e da suspeita da causa.
Importante: antiemético pode aliviar o sintoma, mas não “resolve” a causa. Por isso, quando há sinais de gravidade, dor forte, febre alta ou piora progressiva, o foco é avaliação e hidratação adequada.
Evite automedicação, especialmente em crianças, gestantes e idosos. Em crianças pequenas, algumas substâncias podem ser perigosas. Em gestantes, a escolha do medicamento precisa considerar segurança para o bebê.
Cuidados em populações específicas
Crianças: perdem líquido mais rápido. Se houver recusa persistente de líquidos, prostração, febre alta, sangue nas fezes ou vômitos repetidos, procure atendimento. O SRO é uma das estratégias mais seguras para hidratar.
Idosos: podem desidratar e “descompensar” com mais facilidade, principalmente se tiverem diabetes, doença renal, insuficiência cardíaca ou uso de muitos medicamentos. Atenção redobrada para tontura, sonolência, fraqueza e queda de pressão.
Gestantes: náuseas podem ser comuns no início da gravidez, mas vômitos intensos e persistentes podem indicar hiperêmese gravídica, que exige acompanhamento. Procure a rede do SUS se não conseguir manter líquidos, perder peso ou tiver sinais de desidratação.
Pessoas com doenças crônicas: diabetes, doença renal, cirrose e imunossupressão merecem avaliação mais precoce, porque a desidratação e infecções podem evoluir com mais risco.
Sinais que exigem atendimento imediato
Procure atendimento imediatamente (UPA ou pronto-socorro) quando houver:
incapacidade de manter qualquer líquido por várias horas;
sinais de desidratação importante (muita fraqueza, sonolência incomum, tontura ao levantar, urina quase ausente);
sangue no vômito, vômitos escuros como “borra de café” ou fezes muito escuras;
dor abdominal forte e localizada, barriga muito endurecida ou distensão importante;
febre alta persistente, rigidez de nuca, confusão mental ou dor de cabeça muito intensa;
vômitos após traumatismo na cabeça;
em crianças: prostração, gemência, choro fraco, recusa total de líquidos, sinais de desidratação e piora rápida.
Na dúvida, prefira buscar avaliação. É melhor ir e receber orientação do que esperar até o quadro agravar.
Como funciona o atendimento e a hidratação pelo SUS
O cuidado começa, na maioria das vezes, na Unidade Básica de Saúde. Lá, a equipe avalia sintomas, sinais de desidratação, temperatura, histórico e orienta o tratamento. Quando necessário, pode prescrever antieméticos e orientar hidratação com SRO, além de acompanhar a evolução.
Se houver sinais de gravidade, vômitos persistentes, desidratação importante ou necessidade de hidratação venosa, o encaminhamento costuma ser para UPA ou pronto atendimento. Nesses locais, podem ser realizados exames básicos, medicação venosa e observação clínica, conforme cada caso.
Passo a passo prático para buscar ajuda pelo SUS:
1) UBS: quadros leves a moderados, sem sinais de gravidade — avaliação, orientação e acompanhamento.
2) UPA: quando há sinais de desidratação, vômitos repetidos, piora importante, ou necessidade de hidratação venosa.
3) Hospital: quando o quadro exige investigação/monitoramento mais intensos, internação ou suspeita de causa grave.
Quando são necessários exames e atendimento especializado
Nem sempre são necessários exames. Muitas viroses melhoram com hidratação e repouso. Porém, o profissional pode solicitar exames quando há suspeita de complicações, dor abdominal importante, febre persistente, sinais de desidratação grave, suspeita de infecção urinária, hepatite, apendicite, pancreatite ou outras condições.
Exames laboratoriais podem avaliar eletrólitos, função renal, sinais de infecção e glicemia. Em alguns casos, podem ser necessários exames de imagem (como ultrassonografia) para investigar dor abdominal localizada.
Veja também
Diarreia: hidratação oral, sinais de gravidade e atendimento pelo SUS
Gastroenterite: diagnóstico e tratamento pelo SUS
Fontes e referências
Ministério da Saúde – Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (RENAME)
Ministério da Saúde – Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (PCDT)
Sociedade Brasileira de Pediatria – Diretriz sobre gastroenterite aguda em crianças (PDF)
Ministério da Saúde – Diretrizes para uso de antieméticos na Atenção Primária
Ministério da Saúde – Protocolo de tratamento da hiperêmese gravídica
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