Diarreia: Protocolo de Hidratação Oral (SRO), Uso de Zinco e Fluxo de Atendimento de Urgência Garantidos pelo SUS

Saiba como o SUS trata a diarreia aguda e crônica, o acesso gratuito ao Soro de Reidratação Oral e ao Zinco, e quando a desidratação exige atendimento em UPA ou hospital.

1/3/20265 min read

Diarreia: Tratamento, Hidratação Oral e Quando Procurar o Atendimento de Urgência pelo SUS

A Diarreia é um sintoma comum, mas que exige atenção imediata, especialmente em crianças e idosos, devido ao risco de desidratação. No Brasil, as Doenças Diarreicas Agudas (DDA) ainda representam um desafio de saúde pública, sendo o manejo correto da hidratação e o acesso a medicamentos essenciais, como o Soro de Reidratação Oral (SRO) e o Zinco, a chave para a redução da morbidade e mortalidade. O Sistema Único de Saúde (SUS) possui um protocolo bem estabelecido, baseado nas diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS), que orienta o tratamento desde a Atenção Primária até o atendimento de urgência.

Este guia detalhado explora as causas, os tipos de diarreia, o protocolo de hidratação (Planos A, B e C), a importância do Zinco e o fluxo de atendimento de urgência garantido pelo SUS, com o compromisso de entregar um conteúdo completo e didático, focado na prevenção e no manejo eficaz desta condição.

1. Entendendo a Diarreia: Tipos e Principais Causas

A diarreia é definida pelo aumento da frequência de evacuações (geralmente três ou mais em 24 horas) e pela diminuição da consistência das fezes.

Diarreia Aguda e Crônica:

  • Diarreia Aguda: Dura até 14 dias. É a forma mais comum e, na maioria dos casos, é autolimitada, causada por infecções virais (Rotavírus, Norovírus) ou bacterianas (E. coli, Salmonella).

  • Diarreia Crônica: Persiste por mais de 14 dias. Requer investigação mais aprofundada, pois pode ser sintoma de condições subjacentes, como doenças inflamatórias intestinais, intolerâncias alimentares ou infecções parasitárias.

Principais Agentes Causadores:

  • Vírus: São a causa mais frequente, especialmente o Rotavírus (prevenível por vacina no SUS) e o Norovírus.

  • Bactérias: Escherichia coli (E. coli), Salmonella, Shigella e Campylobacter.

  • Parasitas: Giardia lamblia e Entamoeba histolytica.

2. O Protocolo de Hidratação do SUS: Planos A, B e C

O tratamento da diarreia no SUS é focado na prevenção e correção da desidratação, utilizando o protocolo de reidratação oral, que é dividido em três planos de manejo.

Plano A: Tratamento Domiciliar (Prevenção da Desidratação)

Indicado para pacientes sem sinais de desidratação. O foco é manter a hidratação e a alimentação.

  • Aumento da Ingestão de Líquidos: O paciente deve ingerir mais líquidos do que o habitual, como água, chás, água de coco, sopas e sucos naturais.

  • Soro de Reidratação Oral (SRO): O SUS fornece o SRO gratuitamente. O paciente deve tomar o SRO após cada evacuação diarreica.

  • Manutenção da Alimentação: A alimentação deve ser mantida, evitando-se apenas alimentos muito gordurosos ou com alto teor de açúcar.

Plano B: Tratamento na Unidade de Saúde (Correção da Desidratação Leve/Moderada)

Indicado para pacientes com sinais de desidratação leve ou moderada (sede aumentada, olhos fundos, perda de elasticidade da pele).

  • Administração de SRO Supervisionada: O paciente recebe o SRO na Unidade Básica de Saúde (UBS) ou Unidade de Pronto Atendimento (UPA) sob supervisão do profissional de saúde. A quantidade é calculada com base no peso do paciente (geralmente 50 a 100 ml/kg em 4 horas).

  • Reavaliação: Após 4 a 6 horas, o paciente é reavaliado. Se houver melhora, o tratamento passa para o Plano A. Se não houver melhora ou se houver piora, o tratamento avança para o Plano C.

Plano C: Tratamento Hospitalar (Correção da Desidratação Grave)

Indicado para pacientes com sinais de desidratação grave (choque, letargia, incapacidade de beber).

  • Hidratação Endovenosa (EV): O paciente é internado e recebe hidratação diretamente na veia, pois a absorção oral não é mais suficiente.

  • Monitoramento Contínuo: O paciente é monitorado de perto para correção de eletrólitos e acompanhamento de sinais vitais.

3. O Papel Essencial do Zinco no Tratamento pelo SUS

O Sulfato de Zinco é um medicamento essencial no tratamento da diarreia aguda, especialmente em crianças, e é fornecido gratuitamente pelo SUS.

Benefícios do Zinco:

  • Redução da Duração: O zinco demonstrou reduzir a duração dos episódios de diarreia em até 25%.

  • Redução da Gravidade: Diminui o volume das fezes e a frequência das evacuações.

  • Prevenção de Recorrência: O tratamento com zinco por 10 a 14 dias reduz a chance de novos episódios de diarreia nos meses seguintes.

Posologia e Acesso:

  • Crianças menores de 6 meses: 10 mg por dia, durante 10 a 14 dias.

  • Crianças de 6 meses a 5 anos: 20 mg por dia, durante 10 a 14 dias.

O zinco é um componente obrigatório do tratamento da diarreia infantil no SUS, seguindo as recomendações da OMS e do Ministério da Saúde.

4. Quando Procurar o Atendimento de Urgência (UPA/Hospital)

Embora a maioria dos casos de diarreia seja tratada na Atenção Primária (UBS), é crucial saber identificar os sinais de alerta que exigem atendimento imediato em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) ou hospital.

Sinais de Alerta em Crianças:

  • Sinais de Desidratação Grave: Olhos muito fundos, boca e língua extremamente secas, ausência de lágrimas ao chorar, moleira (fontanela) afundada em bebês.

  • Vômitos Incoercíveis: Vômitos que não param, impedindo a ingestão de SRO.

  • Letargia ou Irritabilidade Extrema: Criança muito sonolenta, difícil de acordar ou excessivamente irritada.

  • Sangue nas Fezes: Indica diarreia disentérica, que pode exigir tratamento antibiótico específico.

  • Febre Alta Persistente: Febre acima de 39°C que não cede.

Sinais de Alerta em Adultos:

  • Sinais de Choque: Pressão baixa, pulso fraco e rápido, extremidades frias.

  • Diarreia com Sangue ou Pus:

  • Dor Abdominal Intensa:

  • Incapacidade de Reter Líquidos:

  • Diarreia em Pacientes Imunocomprometidos: (HIV, transplantados, em quimioterapia).

5. Prevenção e o Papel do SUS na Saúde Coletiva

A prevenção é o pilar mais importante no combate às Doenças Diarreicas Agudas, e o SUS atua em diversas frentes.

Vacinação:

  • Vacina contra o Rotavírus: Incluída no Calendário Nacional de Vacinação, é essencial para prevenir a forma mais grave de diarreia viral em crianças.

Saneamento Básico e Vigilância:

  • O SUS atua em conjunto com a Vigilância Sanitária e Ambiental para monitorar a qualidade da água e dos alimentos, e para promover o acesso ao saneamento básico, fatores cruciais na prevenção da diarreia.

Educação em Saúde:

  • As equipes de Saúde da Família (ESF) realizam a educação em saúde, orientando sobre a correta higienização das mãos (antes de comer e após usar o banheiro) e o preparo seguro dos alimentos.

O manejo da diarreia pelo SUS é um processo que demonstra a capacidade do sistema de oferecer desde o tratamento mais simples e vital (SRO e Zinco) na atenção primária, até a intervenção de alta complexidade (hidratação venosa) em casos de urgência, garantindo a saúde e a vida da população.