Mialgia: Causas, diagnósticos e tratamentos. Entenda como o SUS pode ajuda.
Saiba as causas da dor muscular aguda e crônica, e conheça o caminho do cuidado no SUS, da UBS à fisioterapia e Práticas Integrativas (PICs).
1/2/20267 min read


Dor Muscular (Mialgia): Causas, Tratamentos e o Apoio do SUS
Aquela dor incômoda nos músculos após um dia de faxina, uma atividade física mais intensa ou até mesmo por ficar muito tempo na mesma posição. A dor muscular, ou mialgia, como é chamada tecnicamente, é uma das queixas de saúde mais comuns e universais. Ela pode variar de um leve desconforto a uma dor incapacitante que afeta a qualidade de vida.
Embora muitas vezes seja temporária e benigna, a dor muscular também pode ser um sinal de condições de saúde mais complexas. Entender as possíveis causas e saber como o Sistema Único de Saúde (SUS) pode ajudar no diagnóstico e tratamento é fundamental. Este guia completo e humanizado irá abordar tudo o que você precisa saber sobre a dor muscular e o caminho do cuidado dentro do SUS.
O Que Causa a Dor Muscular?
A mialgia pode ter inúmeras causas, que vão desde as mais simples e cotidianas até doenças crônicas. É importante diferenciar a dor muscular aguda da crônica.
Causas Comuns de Dor Muscular Aguda (de curta duração):
Tensão e Estresse: A tensão emocional pode fazer com que os músculos fiquem contraídos por longos períodos, levando à dor, especialmente no pescoço, ombros e costas.
Excesso de Esforço Físico: Usar um músculo de forma mais intensa do que ele está acostumado, seja na academia, no trabalho ou em atividades domésticas, causa microlesões nas fibras musculares, resultando na famosa "dor do dia seguinte".
Lesões e Traumas: Pancadas, contusões e estiramentos durante a prática de esportes ou em acidentes são causas diretas de dor muscular.
Infecções Virais: Doenças como gripe, resfriado, dengue e chikungunya frequentemente têm a dor no corpo como um de seus principais sintomas.
Causas de Dor Muscular Crônica (de longa duração):
Quando a dor muscular persiste por mais de três meses, ela é considerada crônica e geralmente está associada a outras condições de saúde que precisam de investigação e tratamento específico. As mais importantes são:
Fibromialgia: Uma síndrome complexa que causa dor muscular generalizada em todo o corpo, acompanhada de fadiga, problemas de sono e alterações de humor. A dor da fibromialgia é difusa e migratória, ou seja, pode mudar de lugar.
Doenças Reumáticas Autoimunes: Condições como lúpus, artrite reumatoide e polimialgia reumática podem causar inflamação e dor nos músculos.
Problemas da Tireoide: Tanto o hipotireoidismo (produção insuficiente de hormônios) quanto o hipertireoidismo (produção excessiva) podem levar a dores musculares, fraqueza e cãibras.
Deficiências de Vitaminas: A falta de vitamina D, por exemplo, está associada a dores musculares e ósseas crônicas.
Efeitos Colaterais de Medicamentos: Algumas classes de medicamentos, como as estatinas (usadas para controlar o colesterol), podem causar dor muscular como efeito colateral.
O Atendimento no SUS: A Porta de Entrada é a UBS
Para qualquer tipo de dor muscular, seja ela aguda ou crônica, a Unidade Básica de Saúde (UBS), o famoso "postinho", é a porta de entrada para o cuidado no SUS.
1. Diagnóstico: Entendendo a Origem da Dor
Na consulta com a equipe de saúde da família (médico, enfermeiro), o profissional irá:
Ouvir sua História: O passo mais importante é a conversa. O profissional perguntará sobre o início da dor, a localização, a intensidade, o que melhora ou piora, e se há outros sintomas associados.
Realizar o Exame Físico: O médico irá apalpar os músculos doloridos, avaliar a força e a amplitude de movimento para identificar a origem do problema.
Solicitar Exames (se necessário): Na maioria das dores musculares agudas, exames não são necessários. No entanto, em casos de dor crônica ou suspeita de outras doenças, o médico pode solicitar exames de sangue para verificar inflamações, função da tireoide, níveis de vitaminas, entre outros. Exames de imagem como ultrassonografia ou ressonância magnética são solicitados em casos mais específicos.
2. Tratamento da Dor Muscular Aguda
Para as dores causadas por esforço, tensão ou pequenas lesões, o tratamento orientado pelo SUS geralmente inclui:
Repouso Relativo: Evitar a atividade que causou a dor, mas sem ficar completamente parado.
Aplicação de Calor: Diferente das lesões agudas como entorses (onde se usa gelo), para a dor muscular de tensão ou esforço, a aplicação de uma bolsa de água quente ou uma toalha aquecida por 15-20 minutos ajuda a relaxar a musculatura e aliviar a dor.
Analgésicos e Anti-inflamatórios: Se necessário, o médico pode prescrever medicamentos como Dipirona, Paracetamol ou anti-inflamatórios (como Ibuprofeno ou Diclofenaco), que estão disponíveis na farmácia da UBS.
Relaxantes Musculares: Em casos de contraturas intensas, relaxantes musculares (como a Ciclobenzaprina) podem ser indicados.
O Cuidado da Dor Muscular Crônica e da Fibromialgia no SUS
O tratamento da dor crônica é mais complexo e multidisciplinar. O SUS oferece uma abordagem integral que vai muito além dos medicamentos.
Tratamento Não Medicamentoso: O Pilar do Cuidado
Fisioterapia: Essencial para o manejo da dor crônica. O fisioterapeuta trabalha com exercícios de alongamento e fortalecimento para melhorar a função muscular e reduzir a dor. O encaminhamento é feito pela UBS.
Atividade Física Regular: A prática de atividades como caminhada, natação, hidroginástica ou pilates é fortemente recomendada. Muitos municípios oferecem essas atividades através das Academias da Saúde ou em parceria com o NASF (Núcleo de Apoio à Saúde da Família).
Práticas Integrativas e Complementares (PICs): O SUS oferece diversas PICs que são muito eficazes no manejo da dor crônica:
Acupuntura: Ajuda a modular a dor e a promover o relaxamento.
Meditação e Mindfulness: Técnicas que ajudam a controlar a percepção da dor e a reduzir o estresse.
Yoga e Tai Chi Chuan: Combinam movimentos suaves, alongamento e meditação.
Apoio Psicológico: A dor crônica frequentemente está associada à ansiedade e à depressão. O acompanhamento com psicólogos da rede de saúde mental do SUS é fundamental para um tratamento completo.
Tratamento Medicamentoso para Dor Crônica
Para a fibromialgia e outras dores crônicas, os analgésicos comuns muitas vezes não são eficazes. O tratamento medicamentoso, sempre prescrito pelo médico, pode incluir:
Antidepressivos (em doses baixas): Medicamentos como Amitriptilina, Duloxetina e Fluoxetina são usados não para tratar a depressão em si, mas porque eles atuam nas vias da dor no cérebro, ajudando a diminuir a mialgia.
Neuromoduladores: Remédios como a Pregabalina e a Gabapentina, que também são usados para crises convulsivas, ajudam a controlar a dor de origem neurológica que pode estar presente na fibromialgia.
Esses medicamentos são disponibilizados pelo SUS, mediante prescrição médica, através do Componente Especializado da Assistência Farmacêutica (medicamentos de "alto custo").
Dor Muscular vs. Dor Articular: Aprendendo a Diferenciar
É muito comum confundir dor muscular (mialgia) com dor articular (artralgia), mas a origem e, muitas vezes, o tratamento são diferentes. Saber identificar o tipo de dor pode ajudar a descrever melhor o sintoma para a equipe de saúde.
Localização
Dor Muscular (Mialgia): Geralmente é mais difusa, sentida "dentro" do músculo. Pode afetar uma área maior.
Dor Articular (Artralgia): É bem localizada, sentida "na junta". Pode piorar com o movimento da articulação.
Sensação
Dor Muscular (Mialgia): Pode ser descrita como uma dor "cansada", pontadas, queimação ou sensação de contratura.
Dor Articular (Artralgia): Frequentemente descrita como uma dor aguda, profunda, que pode ser acompanhada de rigidez.
Causa Comum
Dor Muscular (Mialgia): Esforço excessivo, tensão, infecções virais, fibromialgia.
Dor Articular (Artralgia): Desgaste (artrose), inflamação (artrite), gota, lesões nos ligamentos.
Piora com...
Dor Muscular (Mialgia): Geralmente piora com a contração ou o alongamento do músculo afetado.
Dor Articular (Artralgia): Piora com o movimento da articulação, ao suportar peso ou após períodos de inatividade.
Essa diferenciação é o primeiro passo que o médico da UBS irá tomar para investigar a causa do seu desconforto. Enquanto a dor muscular muitas vezes está ligada ao próprio músculo, a dor articular pode indicar um problema na cartilagem, nos ligamentos ou uma inflamação na própria articulação.
O Papel do NASF: Uma Equipe Multidisciplinar a seu Favor
O Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF) é uma equipe de profissionais de diferentes áreas que atua em parceria com as equipes das UBS para oferecer um cuidado mais completo e especializado. No manejo da dor muscular crônica, o NASF é um recurso valioso do SUS.
A equipe do NASF pode incluir:
Fisioterapeutas: Que, além do atendimento individual, podem organizar grupos de coluna, de alongamento e de atividade física terapêutica.
Profissionais de Educação Física: Que promovem a prática de atividades físicas seguras e adaptadas para pessoas com dor crônica, ajudando a combater o sedentarismo, que é um grande vilão.
Psicólogos: Que oferecem suporte para lidar com os aspectos emocionais da dor crônica, como a ansiedade e a depressão.
Nutricionistas: Que podem orientar sobre uma alimentação anti-inflamatória e o controle de peso, fatores importantes no manejo da dor.
Terapeutas Ocupacionais: Que ajudam a adaptar as atividades diárias e o ambiente de trabalho para evitar sobrecarga e piora da dor.
O trabalho do NASF é focado em ações coletivas e na educação em saúde, capacitando os pacientes a se tornarem protagonistas do seu próprio cuidado. Converse com a equipe da sua UBS para saber como ter acesso aos grupos e atividades promovidos pelo NASF no seu território.
Quando a Dor Muscular é um Sinal de Alerta?
Procure atendimento médico na UBS ou, em casos de sintomas agudos, na UPA, se a dor muscular vier acompanhada de:
Febre alta e mal-estar intenso.
Inchaço, vermelhidão e calor no local da dor.
Fraqueza súbita e incapacidade de mover um membro.
Dificuldade para respirar ou engolir.
Urina escura (cor de "Coca-Cola"), que pode ser sinal de rabdomiólise, uma destruição muscular grave.
Cuidar da dor muscular é cuidar da sua saúde como um todo. O SUS oferece uma rede completa e gratuita, desde a orientação para uma dor leve até o tratamento complexo da dor crônica. Não hesite em procurar a sua UBS para encontrar o melhor caminho para o seu bem-estar.
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