Hemorroidas: Como Acessar o Tratamento Completo e Cirúrgico pelo SUS

Saiba como é feito o diagnóstico, o tratamento com pomadas e dieta, e o fluxo para a cirurgia de hemorroidectomia no Sistema Único de Saúde.

1/5/20265 min read

Hemorroidas: Tratamento Conservador, Cirurgia e Acesso a Cuidados pelo SUS

As Hemorroidas são veias dilatadas e inflamadas localizadas no reto e no ânus, uma condição extremamente comum que causa desconforto, dor, coceira e, frequentemente, sangramento. Embora não sejam consideradas uma doença grave, podem impactar significativamente a qualidade de vida. O tratamento varia desde medidas simples e conservadoras até procedimentos cirúrgicos, dependendo da gravidade do caso. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece um caminho completo para o diagnóstico e tratamento das hemorroidas, garantindo que o paciente tenha acesso a cuidados de prevenção, medicamentos e, quando necessário, à cirurgia de remoção.

Este guia detalhado explora os tipos de hemorroidas, o fluxo de diagnóstico no SUS, as opções de tratamento conservador disponíveis na Atenção Primária e os procedimentos cirúrgicos cobertos pelo sistema de saúde, como a Hemorroidectomia.

1. O que são Hemorroidas e Seus Tipos

As hemorroidas são, na verdade, coxins vasculares (almofadas de vasos sanguíneos) que fazem parte da anatomia normal do canal anal e ajudam no controle da continência. A doença hemorroidária ocorre quando esses vasos se dilatam, inflamam ou se deslocam.

Tipos e Classificação

A doença hemorroidária é classificada em dois tipos principais:

  • Hemorroidas Internas: Localizam-se acima da linha pectínea (linha de sensibilidade do ânus) e são geralmente indolores, mas causam sangramento e, em estágios avançados, prolapso (saem para fora do ânus).

  • Hemorroidas Externas: Localizam-se abaixo da linha pectínea, são cobertas por pele sensível e causam dor intensa, especialmente quando ocorre a trombose (formação de coágulo).

As hemorroidas internas são ainda classificadas em graus, o que define a abordagem terapêutica:

2. Diagnóstico e Encaminhamento pelo SUS

O diagnóstico da doença hemorroidária começa na Atenção Primária à Saúde (APS), na Unidade Básica de Saúde (UBS) ou Estratégia Saúde da Família (ESF).

Exame Clínico

O médico da família ou clínico geral realiza o diagnóstico por meio da história clínica e do exame físico, que inclui a inspeção da região anal e o toque retal. O toque é fundamental para avaliar o tônus muscular e descartar outras condições, como fissuras anais ou tumores.

Encaminhamento para Especialista

O paciente é encaminhado para o Proctologista (especialista em doenças do reto e ânus) via sistema de regulação do SUS nos seguintes casos:

  • Hemorroidas de Grau III e IV.

  • Suspeita de outras doenças (fissuras, fístulas, câncer colorretal).

  • Falha do tratamento conservador após um período adequado.

O Proctologista pode realizar exames complementares, como a Anuscopia ou Retossigmoidoscopia, para uma avaliação mais detalhada do canal anal e do reto.

3. Tratamento Conservador e Medicamentos no SUS

O tratamento conservador é a primeira linha de ação para todos os graus de hemorroidas e é a única abordagem para os graus I e II.

Medidas Dietéticas e Comportamentais

A principal causa da doença hemorroidária é o esforço excessivo na evacuação, geralmente devido à constipação. Portanto, a prevenção e o tratamento inicial focam em:

  • Aumento da Ingestão de Fibras: O SUS orienta o consumo de alimentos ricos em fibras (frutas, verduras, grãos integrais) e pode encaminhar o paciente para o Nutricionista para um plano alimentar adequado.

  • Hidratação: Ingestão de água suficiente para amolecer as fezes.

  • Banho de Assento: Realizado com água morna (sem aditivos) por 15 a 20 minutos, várias vezes ao dia, para aliviar a dor, o inchaço e o espasmo muscular.

Medicamentos Tópicos e Sistêmicos

O SUS fornece medicamentos para alívio sintomático, disponíveis na Farmácia Básica:

  • Pomadas e Supositórios: Contêm anestésicos locais (para dor) e corticoides (para inflamação). A disponibilidade pode variar, mas o Policresuleno + Cloridrato de Cinchocaína é um exemplo de medicamento que pode ser encontrado.

  • Laxativos: Para combater a constipação, o SUS fornece laxativos como o Polietilenoglicol (PEG) e a Lactulose.

  • Analgésicos: Para dor aguda, o uso de analgésicos comuns é recomendado.

4. Procedimentos e Cirurgia pelo SUS

Quando o tratamento conservador falha ou a doença está em estágio avançado (Grau III e IV), procedimentos mais invasivos são indicados.

Procedimentos de Consultório

Para hemorroidas de Grau I e II que não respondem ao tratamento conservador, o Proctologista pode realizar:

  • Ligadura Elástica: O procedimento mais comum e eficaz, onde um pequeno elástico é colocado na base da hemorroida interna, cortando o fluxo sanguíneo e fazendo com que ela caia em poucos dias. Este procedimento é coberto pelo SUS e realizado em ambulatório.

  • Escleroterapia: Injeção de uma solução química na hemorroida para causar cicatrização e encolhimento.

Hemorroidectomia (Cirurgia)

A Hemorroidectomia é a cirurgia de remoção das hemorroidas e é reservada para casos de Grau III e IV, ou quando os procedimentos menos invasivos falham.

  • Fluxo Cirúrgico pelo SUS: O paciente é avaliado pelo Proctologista, que indica a cirurgia. O agendamento é feito pelo sistema de regulação (SISREG) para um hospital de referência.

  • Técnicas: A técnica mais comum no SUS é a Hemorroidectomia de Milligan-Morgan ou Ferguson, que envolve a remoção cirúrgica do tecido hemorroidário.

  • Pós-Operatório: O pós-operatório é doloroso, mas o SUS garante o acompanhamento e a medicação necessária para o controle da dor e a recuperação.

5. Prevenção e Acompanhamento Contínuo

A prevenção é a melhor forma de evitar a progressão da doença hemorroidária. O SUS enfatiza a educação em saúde na Atenção Primária, focando em:

  • Dieta Rica em Fibras: Essencial para manter as fezes macias.

  • Evitar Esforço: Não forçar a evacuação e não passar muito tempo sentado no vaso sanitário.

  • Atividade Física: Ajuda a regular o trânsito intestinal.

O acompanhamento contínuo na UBS é crucial para monitorar os hábitos intestinais e garantir que o paciente mantenha as medidas preventivas.

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Referências