Desnutrição: Causas, Sintomas e Tratamento Nutricional pelo SUS
O SUS oferece acompanhamento nutricional completo para tratar a desnutrição em todas as idades. Conheça os programas e serviços disponíveis.
4/17/20267 min read


Desnutrição: Entenda a Condição e o Acompanhamento Nutricional Oferecido pelo SUS
A desnutrição é uma condição de saúde caracterizada pela deficiência de nutrientes essenciais no organismo. Embora muitas pessoas associem a desnutrição apenas à falta de comida, ela pode ocorrer mesmo quando há acesso a alimentos, se a alimentação não for adequada em qualidade e variedade, ou se houver problemas que impeçam a absorção ou utilização dos nutrientes pelo corpo.
A desnutrição afeta principalmente crianças pequenas, idosos e pessoas com doenças crônicas, mas pode ocorrer em qualquer idade. Suas consequências são graves e podem incluir atraso no desenvolvimento, comprometimento do sistema imunológico, dificuldade de cicatrização, fraqueza muscular e, em casos extremos, risco de morte.
O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece acompanhamento nutricional gratuito para prevenir e tratar a desnutrição, com programas específicos para diferentes grupos populacionais. Neste artigo, vamos explicar o que é a desnutrição, quais são suas causas e consequências, e como funciona o tratamento pelo SUS.
O Que É Desnutrição?
A desnutrição ocorre quando o corpo não recebe ou não consegue utilizar os nutrientes necessários para funcionar adequadamente. Esses nutrientes incluem proteínas, carboidratos, gorduras, vitaminas e minerais, cada um com funções específicas no organismo.
Existem diferentes tipos de desnutrição:
Desnutrição Energético-Proteica
É a forma mais grave de desnutrição, causada pela deficiência de calorias e proteínas. Pode se manifestar de duas formas principais:
Marasmo: Caracterizado por emagrecimento extremo, perda de gordura e massa muscular. A pessoa fica muito magra, com aparência de "pele e osso".
Kwashiorkor: Caracterizado por inchaço (edema), especialmente na barriga, pés e rosto, apesar da deficiência nutricional. A pele pode apresentar lesões e os cabelos ficam finos e quebradiços.
Deficiências de Micronutrientes
São deficiências de vitaminas e minerais específicos, que podem ocorrer mesmo quando a pessoa consome calorias suficientes:
Anemia por deficiência de ferro: A mais comum, causa cansaço, palidez e fraqueza.
Deficiência de vitamina A: Pode causar problemas de visão, especialmente dificuldade para enxergar no escuro.
Deficiência de vitamina D: Afeta os ossos, podendo causar raquitismo em crianças e osteomalácia em adultos.
Deficiência de iodo: Pode causar bócio (aumento da tireoide) e problemas no desenvolvimento cerebral.
Deficiência de zinco: Afeta o sistema imunológico e o crescimento.
Causas da Desnutrição
A desnutrição pode ter diversas causas, que frequentemente se combinam:
Ingestão Alimentar Insuficiente
A causa mais óbvia é simplesmente não comer o suficiente. Isso pode acontecer por:
Pobreza e insegurança alimentar: Falta de recursos financeiros para comprar alimentos em quantidade e qualidade adequadas.
Perda de apetite: Comum em idosos, pessoas com depressão, doenças crônicas ou em tratamento de câncer.
Dificuldade para se alimentar: Problemas dentários, dificuldade para engolir (disfagia), tremores ou fraqueza que impedem a pessoa de comer sozinha.
Transtornos alimentares: Anorexia nervosa e outros transtornos que levam à restrição alimentar.
Negligência: Especialmente em crianças pequenas e idosos dependentes.
Má Absorção de Nutrientes
Algumas condições impedem que o corpo absorva adequadamente os nutrientes dos alimentos:
Doença celíaca: Intolerância ao glúten que danifica o intestino.
Doença inflamatória intestinal: Crohn e retocolite ulcerativa.
Parasitoses intestinais: Vermes que competem pelos nutrientes ou causam inflamação.
Cirurgias do trato digestivo: Remoção de partes do estômago ou intestino.
Insuficiência pancreática: Falta de enzimas para digerir os alimentos.
Aumento das Necessidades Nutricionais
Em algumas situações, o corpo precisa de mais nutrientes do que o habitual:
Infecções e doenças graves: O metabolismo acelera e o corpo consome mais energia.
Câncer: Tanto a doença quanto o tratamento aumentam as necessidades nutricionais.
Queimaduras extensas: Exigem grande quantidade de proteínas para cicatrização.
Gravidez e amamentação: Aumentam as necessidades de vários nutrientes.
Crescimento: Crianças e adolescentes têm necessidades aumentadas.
Perdas Aumentadas de Nutrientes
Algumas condições causam perda excessiva de nutrientes:
Diarreia crônica: Causa perda de nutrientes e líquidos.
Vômitos frequentes: Impedem a absorção dos alimentos.
Sangramentos: Causam perda de ferro e outros nutrientes.
Doenças renais: Podem causar perda de proteínas na urina.
Grupos de Risco para Desnutrição
Alguns grupos populacionais são mais vulneráveis à desnutrição:
Crianças Menores de 5 Anos
As crianças pequenas têm necessidades nutricionais elevadas para o crescimento e desenvolvimento. A desnutrição nessa fase pode causar danos irreversíveis ao desenvolvimento físico e cognitivo. Os primeiros 1000 dias de vida (da gestação até os 2 anos) são especialmente críticos.
Idosos
Os idosos são particularmente vulneráveis à desnutrição por diversos motivos: perda de apetite, problemas dentários, dificuldade para preparar refeições, isolamento social, doenças crônicas, uso de múltiplos medicamentos e alterações no paladar e olfato.
Pessoas com Doenças Crônicas
Doenças como câncer, HIV/AIDS, insuficiência cardíaca, doença renal crônica, DPOC e doenças neurológicas aumentam o risco de desnutrição.
Pessoas Hospitalizadas
A desnutrição hospitalar é um problema comum e frequentemente subdiagnosticado. Pacientes internados podem ter dificuldade para se alimentar, perda de apetite, jejum para exames e procedimentos, e aumento das necessidades nutricionais pela doença.
Pessoas em Situação de Vulnerabilidade Social
A pobreza, a falta de acesso a alimentos de qualidade e a insegurança alimentar são fatores de risco importantes para a desnutrição.
Sinais e Sintomas da Desnutrição
Os sinais de desnutrição podem variar dependendo da gravidade e do tipo de deficiência nutricional:
Perda de peso involuntária: Um dos sinais mais evidentes.
Fraqueza e fadiga: Falta de energia para atividades do dia a dia.
Perda de massa muscular: Os músculos ficam mais finos e fracos.
Pele seca e descamativa: A pele pode ficar ressecada e com aspecto envelhecido.
Cabelos finos e quebradiços: Podem cair com facilidade.
Unhas fracas e quebradiças: Podem apresentar manchas ou deformidades.
Feridas que demoram a cicatrizar: O corpo não tem recursos para reparar os tecidos.
Infecções frequentes: O sistema imunológico fica comprometido.
Inchaço (edema): Especialmente em casos de deficiência proteica grave.
Apatia e irritabilidade: Alterações de humor e comportamento.
Dificuldade de concentração: A falta de nutrientes afeta o funcionamento cerebral.
Em crianças, sinais adicionais incluem atraso no crescimento (baixa estatura para a idade), atraso no desenvolvimento motor e cognitivo, e maior susceptibilidade a doenças.
Diagnóstico da Desnutrição
O diagnóstico da desnutrição é feito através de:
Avaliação antropométrica: Medidas de peso, altura, circunferência do braço e dobras cutâneas. Em crianças, essas medidas são comparadas com curvas de crescimento padronizadas.
História alimentar: Avaliação dos hábitos alimentares e da ingestão de nutrientes.
Exame físico: Identificação de sinais clínicos de deficiências nutricionais.
Exames laboratoriais: Hemograma, proteínas séricas (albumina, pré-albumina), vitaminas e minerais.
Tratamento da Desnutrição pelo SUS
O SUS oferece uma estrutura completa para prevenir e tratar a desnutrição, com programas específicos para diferentes grupos populacionais.
Acompanhamento nas Unidades Básicas de Saúde
As UBS são a porta de entrada para o tratamento da desnutrição. O acompanhamento inclui:
Avaliação nutricional: Identificação do estado nutricional e das causas da desnutrição.
Consulta com nutricionista: Elaboração de plano alimentar individualizado.
Acompanhamento médico: Investigação e tratamento de doenças que possam estar causando ou agravando a desnutrição.
Monitoramento regular: Acompanhamento do peso e do estado nutricional ao longo do tempo.
Programas de Suplementação
O SUS oferece programas de suplementação de nutrientes específicos:
Programa Nacional de Suplementação de Ferro: Distribuição de sulfato ferroso para crianças de 6 a 24 meses, gestantes e mulheres no pós-parto.
Programa Nacional de Suplementação de Vitamina A: Distribuição de megadoses de vitamina A para crianças de 6 meses a 5 anos em regiões de risco.
NutriSUS: Programa de fortificação da alimentação infantil com sachês de vitaminas e minerais em pó, distribuídos em creches.
Fórmulas e Suplementos Nutricionais
Para casos mais graves de desnutrição, o SUS pode fornecer:
Fórmulas infantis: Para bebês que não podem ser amamentados.
Suplementos nutricionais orais: Bebidas ou pós com alta concentração de calorias e nutrientes.
Fórmulas enterais: Para pacientes que precisam de alimentação por sonda.
Nutrição parenteral: Nutrição administrada diretamente na veia, para casos em que o trato digestivo não pode ser usado.
O acesso a esses produtos especiais geralmente requer prescrição médica e pode variar de acordo com cada município e estado.
Programa Bolsa Família e Auxílio Brasil
Os programas de transferência de renda do governo federal incluem condicionalidades de saúde, como o acompanhamento nutricional de crianças. Famílias beneficiárias devem manter o acompanhamento de saúde das crianças em dia, incluindo a pesagem e medição regulares.
Programa Criança Feliz
Programa de visitas domiciliares que inclui orientações sobre alimentação e nutrição para famílias com crianças na primeira infância.
Atenção Especializada
Casos graves de desnutrição podem necessitar de internação hospitalar para tratamento intensivo. O SUS oferece leitos hospitalares e equipes especializadas para o tratamento da desnutrição grave.
Prevenção da Desnutrição
A prevenção é sempre melhor que o tratamento. Algumas medidas importantes incluem:
Aleitamento materno exclusivo até os 6 meses: O leite materno é o alimento ideal para bebês, fornecendo todos os nutrientes necessários e proteção contra infecções.
Introdução alimentar adequada: A partir dos 6 meses, introduzir alimentos complementares de forma gradual e variada.
Alimentação variada e equilibrada: Incluir alimentos de todos os grupos (cereais, leguminosas, carnes, ovos, leite, frutas, verduras e legumes).
Acompanhamento regular de saúde: Levar crianças às consultas de puericultura e manter o acompanhamento de saúde em dia.
Atenção especial aos grupos de risco: Idosos, pessoas com doenças crônicas e pessoas em situação de vulnerabilidade social precisam de acompanhamento mais próximo.
Higiene e saneamento: Prevenir doenças diarreicas e parasitoses que contribuem para a desnutrição.
A desnutrição é uma condição grave, mas tratável e prevenível. O SUS oferece uma rede de cuidados que vai desde a prevenção até o tratamento dos casos mais graves, garantindo acesso gratuito a acompanhamento nutricional, suplementos e tratamento especializado. Se você suspeita que você ou alguém da sua família pode estar com desnutrição, procure a Unidade Básica de Saúde mais próxima para avaliação e orientação.
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