Vitiligo: Tipos, Fluxo de Atendimento, Acesso a Fototerapia e Medicamentos Tópicos e Orais Garantidos pelo SUS
Saiba como o SUS trata o vitiligo, o acesso à fototerapia (UVB-nb), medicamentos imunossupressores e o acompanhamento psicológico para a doença.
1/3/20264 min read


Vitiligo: Tratamento, Fototerapia e Acesso a Medicamentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS)
O Vitiligo é uma doença crônica não contagiosa caracterizada pela perda da coloração da pele, resultando em manchas brancas (acromias) de diferentes tamanhos e localizações. Essa perda de pigmento ocorre devido à destruição ou disfunção dos melanócitos, as células responsáveis pela produção de melanina. Embora a causa exata ainda seja desconhecida, o vitiligo é considerado uma doença autoimune, com forte componente genético. O Sistema Único de Saúde (SUS) reconhece a importância do tratamento integral e oferece o diagnóstico, o acompanhamento psicológico e diversas opções terapêuticas, incluindo medicamentos e a fototerapia, considerada o tratamento de base mais eficaz.
Este guia detalhado explora os tipos de vitiligo, o fluxo de atendimento, o acesso aos medicamentos tópicos e orais, e a garantia da fototerapia pelo SUS, com o compromisso de entregar um conteúdo completo e didático, focado no manejo da doença e na melhoria da qualidade de vida do paciente.
1. Tipos de Vitiligo e o Fluxo de Atendimento no SUS
O vitiligo é classificado em dois grandes grupos, que determinam a abordagem terapêutica.
Vitiligo Não Segmentar (Generalizado):
É o tipo mais comum, caracterizado por manchas brancas que aparecem simetricamente em ambos os lados do corpo.
Tipos: Vulgar (manchas dispersas), Acrofacial (mãos, pés e face), Universal (despigmentação de quase toda a pele).
Progressão: As lesões podem surgir e desaparecer em diferentes momentos, sendo a forma mais instável da doença.
Vitiligo Segmentar:
É uma forma mais rara, onde as manchas brancas aparecem em apenas um lado do corpo, seguindo o trajeto de um nervo.
Progressão: Geralmente se manifesta na infância e tende a se estabilizar após um ou dois anos.
Fluxo de Atendimento no SUS:
O primeiro passo para o paciente com suspeita de vitiligo é a Atenção Primária (UBS/USF).
Diagnóstico na UBS: O médico ou enfermeiro realiza o diagnóstico clínico.
Encaminhamento: O paciente é encaminhado para o dermatologista (Atenção Secundária) para confirmação, classificação do tipo de vitiligo e definição do plano terapêutico.
Acompanhamento Multiprofissional: O SUS enfatiza o acompanhamento psicológico, pois o vitiligo, por ser uma doença visível, tem um impacto significativo na autoestima e na saúde mental.
2. Tratamento Medicamentoso Gratuito pelo SUS
O objetivo do tratamento é interromper a progressão da doença e promover a repigmentação das manchas. O SUS disponibiliza medicamentos essenciais através da Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (RENAME) e do Componente Especializado da Assistência Farmacêutica (CEAF).
Medicamentos Tópicos (Farmácia Básica):
São a primeira linha de tratamento para lesões localizadas.
Corticoides Tópicos: Como o Propionato de Clobetasol e a Betametasona, são usados para controlar a inflamação e estimular a repigmentação.
Inibidores de Calcineurina Tópicos: Como o Tacrolimus e o Pimecrolimus, são alternativas aos corticoides, especialmente para áreas sensíveis como face e pescoço.
Medicamentos Orais (CEAF):
Para casos de vitiligo em rápida progressão (instável) ou extenso, o tratamento sistêmico (oral) é necessário.
Corticoides Orais: Usados em pulsoterapia (doses altas por curtos períodos) para tentar interromper a progressão rápida da doença.
Imunossupressores: Em casos específicos e sob acompanhamento especializado, medicamentos como o Metotrexato podem ser utilizados.
3. Fototerapia: O Tratamento de Base Garantido pelo SUS
A fototerapia é o tratamento mais eficaz para o vitiligo e é garantido pelo SUS em centros de referência e hospitais universitários.
Tipos de Fototerapia:
UVB de Banda Estreita (UVB-nb): É o padrão-ouro. O paciente é exposto a uma luz ultravioleta B de comprimento de onda específico (311 nm), que estimula os melanócitos a voltarem a produzir pigmento.
PUVA (Psoraleno + UVA): Combina a ingestão de um medicamento fotossensibilizante (Psoraleno) com a exposição à luz ultravioleta A (UVA). É menos utilizado devido aos efeitos colaterais.
Acesso e Desafios no SUS:
O SUS oferece a fototerapia, mas o acesso ainda é um desafio em muitas regiões, devido ao número limitado de aparelhos e centros especializados. O tratamento é demorado, exigindo de 50 a 60 sessões, com frequência de duas a três vezes por semana. O paciente deve ser encaminhado pelo dermatologista e o tratamento é coberto integralmente.
4. Cuidados Essenciais e Prevenção de Complicações
O manejo do vitiligo vai além do tratamento medicamentoso e inclui cuidados diários e prevenção de complicações.
Proteção Solar:
As manchas de vitiligo não possuem melanina e são extremamente sensíveis ao sol, aumentando o risco de queimaduras e câncer de pele.
Protetor Solar: O SUS orienta o uso rigoroso de protetor solar de amplo espectro (FPS 30 ou superior) nas áreas despigmentadas.
Vestuário: Uso de roupas com proteção UV, chapéus e óculos de sol.
Acompanhamento Psicológico:
O impacto psicossocial do vitiligo é profundo. O SUS oferece o acompanhamento com psicólogos e psiquiatras, que é fundamental para:
Melhoria da Autoestima: Ajudar o paciente a lidar com o estigma e a aceitar a condição.
Tratamento de Comorbidades: Tratar ansiedade, depressão e outros transtornos que podem estar associados à doença.
Micropigmentação e Transplante de Melanócitos:
Para lesões estáveis e localizadas, o SUS pode oferecer, em centros de referência, técnicas de repigmentação como a micropigmentação (tatuagem médica) e o transplante de melanócitos, que são procedimentos de alta complexidade.
O tratamento do vitiligo pelo SUS é um exemplo de atenção integral à saúde, que busca não apenas a repigmentação da pele, mas também o bem-estar físico e mental do paciente, garantindo o acesso a terapias avançadas e essenciais para a qualidade de vida.
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Referências
Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) para Vitiligo.
Ministério da Saúde. Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (RENAME).
Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). Consenso Brasileiro de Vitiligo.
Ministério da Saúde. Atenção Primária à Saúde: Dermatologia.
Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Orientações sobre Fototerapia.
Ministério da Saúde. Diretrizes para o Acompanhamento Psicossocial.
Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Informações sobre Vitiligo.
Ministério da Saúde. Protocolo de Tratamento de Doenças Autoimunes.
Ministério da Saúde. Componente Especializado da Assistência Farmacêutica (CEAF).
Ministério da Saúde. Diretrizes para o Uso de Protetor Solar.
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